Avante

Dois chocolates, mexericas, xampu, e só. Pensei no chá de limão, mas nem anda sobrando tempo pro chá antes do meu sono, que começa quase sempre às 20h30. Já na fila, os olhos viram tanta coisa, chaveiro, goma de mascar, camisinha, e escolheram uma capa toda azul, onde se lia assim: “Que vazio é esse?”. Dia desses eu contava pra um amigo sobre o jeito como me projeto no futuro, sempre imaginando que as coisas só seriam realmente boas quando chegasse um dia D. Quando eu fosse embora pra dividir nossa rede (minha e dele) no Largo do Arouche. Quando viesse a formatura. Quando arrumasse um emprego. Tantos quandos… E então tudo vira presente do indicativo, e o que deveria ser realmente bom, ganha um ar de indiferença. Fui direto pra página 50:

“Não se trata de suprimir o desejo, mas de transformá-lo: de desejar um pouco menos aquilo que nos falta e um pouco mais aquilo que temos; de desejar um pouco menos o que não depende de nós e um pouco mais aquilo que de fato depende. (…) ‘Nenhuma satisfação é duradoura, ao contrário: ela é ponto de partida para novos desejos’, afirmava Schopenhauer”*. E o olhar ficou molhado. Viver no futuro é minha especialidade.

*O trecho é da revista Vida Simples de setembro, que está nas bancas, ou nas prateleiras dos supermercados.

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2 respostas para Avante

  1. Nat Zen disse:

    Tati, não sabia da existência do teu blog. Já me identifiquei com algumas coisas…Sem falar da Vida Simples, um xodó, né? Um abraço apertado!

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