Desestrutura

“A boca, (os poros) falam do que o peito transborda”, deixando esparramar pra todo lado. Olha lá, já molhou o piso da cozinha. Tudo manteve-se organizado, nem vontade de escrever apareceu. Tudo manteve-se rotineiro, como o metrô de minuto em minuto, espremendo e sufocando, mesmo vazio. Aí veio aquele confessionário de horas, sua calmaria, o timbre, e eu penso, até agora, se terá sido um dos milagres do álcool o diálogo. A gentileza da sua mão dançando na minha e os olhos — sempre eles — rasgando a minha carne até quando eu não consegui segurar o suspiro. O momento era feito de mim e você, e uma tonelada, compacta e densa, de vontade. Paciência. E aí a gente entende o pecado original, sente a graça do sal que há no que não se pode possuir. Sem contar com o beijo, eu voei. Veja se tem graça: depois de tanta estrepada, deixar um beijo de língua abalar meu aço. Voei, pousei e olhei pros rostos, pra garantir o nosso anonimato. Me engana que eu gosto. Colei minha vista na sua e falei tudo de boca fechada. Dormi em transe. No mais, conto com o futuro pra me reenviar os convites, vou ao mercado, compro panos de chão e voo no pensamento.

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Uma resposta para Desestrutura

  1. marisa disse:

    hum…

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